O European Transport Safety Council (ETSC) pediu, em parecer publicado em 29 de setembro, que a União Europeia rejeite duas funções de velocidade do Tesla (Supervised). Uma aplica uma margem sobre o limite detectado; a outra pode considerar o ritmo dos veículos ao redor. A controvérsia coloca uma pergunta concreta diante dos reguladores: o carro deve acompanhar quem está acima do limite?
O speed offset permite ao motorista configurar uma margem persistente de até 50%, segundo o ETSC. Com um limite detectado de 50 km/h, essa configuração produz um teto de 75 km/h. O manual europeu da Tesla confirma o ajuste percentual e esclarece que o teto limita a velocidade da assistência, sem obrigar o carro a alcançá-lo. O limite legal da via permanece o mesmo.

Quando o contexto pode mudar o teto?
A segunda função, contextual max speed, ajusta esse teto a partir de informações visuais da cena. No dossiê apresentado para a homologação, a própria Tesla pede uma exceção que permita, em determinadas situações, adequar a velocidade às condições do trânsito mesmo acima do limite detectado. A fabricante sustenta que acompanhar o fluxo pode corrigir erros na identificação do limite e evitar diferenças acentuadas de velocidade.
O ETSC aceita usar características da infraestrutura para melhorar a identificação do limite, mas contesta recorrer à velocidade dos outros motoristas. Em um exemplo hipotético, uma via limitada a 50 km/h pode ter veículos circulando a 70 km/h. Acompanhar esse grupo preservaria o ritmo do trânsito enquanto ultrapassaria o limite correto. O desafio é distinguir uma placa interpretada incorretamente de uma infração coletiva.

Para o speed offset, a objeção é também jurídica: o ETSC invoca o parágrafo 5.3.7.4.9 do Regulamento ONU nº 171, que proíbe uma margem padrão acima do limite determinado pelo sistema. Seu parecer distingue esse ajuste persistente de uma velocidade selecionada manualmente pelo condutor e afirma que o recurso não consta das exceções solicitadas. Essa é a interpretação da entidade; o documento não constitui uma decisão europeia declarando o ilegal.
Nos EUA, acompanhar o fluxo já faz parte do
Nos Estados Unidos, onde o já é utilizado há mais tempo, a velocidade do fluxo já participa da decisão. O manual americano atual do Model 3 descreve cinco perfis: Sloth, Chill, Standard, Hurry e Mad Max. Sloth circula no limite ou abaixo dele; Standard ajusta a velocidade ao fluxo; Hurry e Mad Max dirigem mais rapidamente e fazem mais mudanças de faixa. A Tesla informa que o sistema combina o perfil escolhido, navegação, histórico de outros Teslas, placas e velocidade dos veículos próximos.
Esse funcionamento também despertou escrutínio nos EUA. Em 24 de outubro de 2025, a Reuters informou que a estava buscando esclarecimentos sobre o Mad Max, após relatos de usuários sobre velocidades acima do permitido. A agência reiterou a responsabilidade do motorista pelas regras de trânsito. A autoridade holandesa RDW ressalta que as versões americana e europeia usam softwares diferentes: nos EUA, a admissão segue autocertificação e fiscalização posterior; na Europa, há homologação prévia.

com contexto, regras verificáveis
A discussão expõe a tensão entre end-to-end, comportamento natural e regras verificáveis. A Tesla descreve um sistema que aprende padrões de condução humana e calcula trajetórias por otimização probabilística. Interpretar o contexto pode tornar a assistência mais fluida. A questão regulatória é estabelecer quais informações podem mudar uma decisão de velocidade e quais limites precisam prevalecer. O continua sendo assistência de Nível 2, com supervisão permanente do motorista.
A RDW concedeu a aprovação provisória holandesa em abril. A extensão para toda a União Europeia segue em discussão: segundo a Reuters de 29 de setembro, vários países levantaram objeções, e a votação antes cogitada para outubro é improvável antes de dezembro. Isso não garante aprovação em dezembro nem atribui o adiamento exclusivamente ao parecer. Tesla e RDW não haviam respondido ao pedido de comentário da agência quando aquela reportagem foi publicada.






