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há 5 h

O carro autônomo poderá ouvir os pitacos dos passageiros

Pesquisadores querem transformar pedidos como “estou atrasado”, “estou enjoado” ou "mais cuidado" em mudanças no jeito de dirigir. A proposta tenta personalizar a viagem sem colocar um chatbot no comando, mas ainda precisa superar limites de segurança.

O carro autônomo poderá ouvir os pitacos dos passageiros

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Imagine entrar em um carro autônomo e dizer: “Estou passando mal, dirija com mais calma”. Ou, no caminho para o aeroporto: “Estamos atrasados, pode ser um pouco mais rápido”. Em vez de escolher entre modos prontos como Eco, Normal ou Sport, o passageiro poderia simplesmente explicar o que deseja.

Pesquisadores da Universidade de Tecnologia de Delft, nos Países Baixos, desenvolveram um sistema que transforma esses pedidos em ajustes no comportamento do veículo. A proposta aparece em um estudo publicado como preprint em junho de 2026 e, segundo a IEEE Spectrum, será apresentada em setembro na IEEE Intelligent Transportation Systems Conference. Até agora, os testes ocorreram apenas em simulação.

A interpreta o pedido, mas não assume o volante

Um carro autônomo precisa decidir qual trajetória seguir, quando acelerar, quanto frear e com que intensidade virar o volante. Quem faz esse trabalho é o planejador de movimento.

O sistema da TU Delft usa um controlador chamado MPPI. Ele cria várias trajetórias possíveis, calcula o custo de cada uma e escolhe a que oferece o melhor equilíbrio entre velocidade, permanência na faixa, conforto e risco de colisão. É como se cada caminho recebesse uma nota antes de o carro decidir por onde seguir.

O GPT-4o-mini entra antes dessa escolha. Quando o passageiro diz que está enjoado, o modelo aumenta a importância da suavidade e reduz movimentos bruscos. Se ele avisa que está atrasado, pode elevar a velocidade desejada e permitir respostas mais rápidas.

O modelo de linguagem não controla o acelerador, o freio ou a direção. Ele apenas modifica o peso de alguns critérios, enquanto o controlador calcula os movimentos do veículo a cada 100 milissegundos. A barreira rígida contra trajetórias consideradas muito arriscadas fica fora do alcance da .

Antes de aplicar uma mudança, o sistema explica o comportamento proposto. O passageiro pode confirmar ou corrigir a interpretação. Assim, um pedido como “mais rápido, mas sem dirigir de forma agressiva” gera uma nova combinação de parâmetros.

Essa separação reduz a dependência de um modelo generativo, que pode interpretar mal uma frase ou produzir resultados inconsistentes. Uma equipe da ETH Zurique testou uma arquitetura semelhante, na qual a adapta o comportamento, mas as principais restrições permanecem sob responsabilidade de um controlador matemático.

O sistema entendeu os pedidos, mas também provocou uma colisão

Nos experimentos, os pesquisadores usaram cenas do simulador nuPlan e oito comandos em inglês. Em uma mudança de faixa com trânsito cooperativo, o sistema respondeu como esperado. Pedidos de conforto reduziram acelerações e movimentos de direção. Solicitações de urgência aumentaram a velocidade de referência e deixaram o veículo mais disposto a avançar.

O teste, porém, foi pequeno. Foram avaliadas poucas frases e somente dois tipos de situação envolvendo entrada em outra faixa. Não houve experiência em veículo real, trânsito urbano complexo, outros idiomas ou pedidos contraditórios.

O resultado mais revelador apareceu no segundo cenário. O sistema recebeu uma descrição dizendo que o carro já havia entrado na faixa, que o caminho estava livre e que não existia risco imediato. Com base nessa informação, a adotou uma configuração mais agressiva cedo demais e o veículo colidiu na simulação.

A manobra funcionou quando os pesquisadores mantiveram um comportamento conservador no início e só depois permitiram uma aceleração mais forte. Essa mudança, no entanto, dependia de uma troca de contexto definida manualmente ou de um sistema de percepção que o estudo ainda não implementou.

O episódio mostra que interpretar corretamente o pedido do passageiro não garante uma trajetória segura. Para lidar com esse problema, pesquisadores da Universidade Técnica de Munique criaram o sistema SanDRA. Nele, a ação sugerida pela passa por uma verificação matemática e por regras de trânsito formalizadas antes de chegar ao veículo.

A pesquisa da TU Delft ainda não apresenta um produto próximo de chegar às ruas. Ela aponta, porém, para uma possível interface dos futuros robotáxis. Em vez de apertar um botão, o passageiro poderá conversar com o carro sobre pressa, conforto e cautela. O avanço estará em compreender essa intenção sem permitir que o pedido ultrapasse os limites de segurança.

2 fontes · 2 origens independentes

Pesquisa acadêmicaUniversidade de Tecnologia de Delft — preprint citado no textoCitada no texto
Imprensa especializadaIEEE Spectrum — cobertura do estudoCitada no texto

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